Educação Integral e Consciencial
Educação Integral e Consciencial
O Que é Inteligência
Editoria de Educação - 21 de Agosto de 2015
Autor: Jon Talber[1]
A despeito das dezenas de teorias e tratados que tentam definir o que de fato significa inteligência, convidamos o leitor a refletir sobre o assunto, mas agora com argumentos factuais que certamente irão mudar seu modo de ver a coisa...
"Aprender a repetir é coisa simples mesmo para o mais estúpido animal irracional; no entanto, aprender a questionar o ato de repetir, isso não é coisa simples..."
O Que é Inteligência
A inteligência não nasce com o indivíduo, mas todo indivíduo tem o potencial para se tornar inteligente...
O Que é Inteligência
A inteligência não nasce com o indivíduo, mas todo indivíduo tem o potencial para se tornar inteligente...

Não acordamos ao abrir os olhos, mas antes disso, quando ainda de olhos fechados, temos plena consciência de que somos capazes de fazê-lo...

Uma das mais contraditórias e enigmáticas pautas acadêmicas de todos os tempos ainda é a busca por uma definição universal do que vem a ser inteligência. Não parece uma tarefa simples, uma vez que a cada nova geração, novas ideias e métodos são acrescentados à imensa lista de conceitos já homologados, catalogados, protocolados como modelos para tal aferição, medição ou definição.

O cérebro humano é dotado de uma capacidade inata que é pensar. Ele pensa a despeito de nossa vontade. Nossos pensamentos não podem ser evitados, e o máximo que podemos conseguir, com treino e perseverança, é torná-lo um tanto mais seletivo, disciplinado e organizado.

Podemos assim dar atenção a alguns, e desprezar outros. Pensar não é sinal de inteligência, trata-se de um atributo inato do cérebro, desde que se tenha lastro para isso. Lastro quer dizer memórias, lembranças. E nesse campo, os conceitos éticos e morais, assim como as regras e normas de comportamento de uma sociedade, são meras informações, dentre milhares, que fazem parte daquele repositório ou banco de dados.

Imaginemos o motor de um veículo, que a despeito de sua propriedade inata, projetada em fábrica, de gerar energia para movimentá-lo, só é capaz de realizar tal procedimento se existir combustível para ser queimado. O cérebro, o bloco onde tudo isso acontece, é o motor, enquanto que as memórias, estas podemos considerar como o combustível.

O movimento capaz de gerar energia a partir da queima do combustível seria o pensamento. Ou seja, sem memórias, que é o combustível, o movimento de percorrê-las criando cadeias lógicas que podemos chamar de pensamentos, não poderia ocorrer.

Domesticar um animal é simples. Para isso basta lhes ensinar o processo de imitação de certos gestos, mas sempre em troca de compensações. Depois de treinado por um tempo, a simples lembrança da recompensa o fará lembrar-se do gabarito ou procedimento que deverá seguir para merecer seu quinhão, ou agrado.

Ele pensa, logo é capaz de reagir aos estímulos conhecidos. Reagir significa reconhecer uma instrução ou parâmetros de uma tabela ou fórmula e reproduzir, quer dizer, executar os passos adequados que o conduzirão a uma determinada ação ou feito.

Roteiro ou receita sempre resulta em alguma ação. Observe como nosso comportamento é parametrizado, isto é, segue prescrições, regras pré-estabelecidas, que nos informam como fazer, como decidir, como interpretar; como expressar sentimentos, e assim por diante. Agimos segundo o modelo parametrizado que rege nossos atos e pensamentos, não há outro modo.

Um computador funciona do mesmo modo. Diante de uma solicitação de serviço, ele receberá como ponto de partida para sua ação algumas informações ou orientações básicas, e nos devolverá o procedimento esperado.

Quando crianças, fomos domesticados do mesmo modo, como se faz com um animal não amestrado. Isso é, para realizar algumas tarefas, primeiro nos mostraram como fazer, e depois, como incentivo para aguçar nosso empenho em assimilar as orientações, ao final de cada atividade, sempre fomos recompensados, ora com castigos, ora com afagos ou palavras cordiais, e em outras ocasiões, com presentes.

Mas, com o passar dos anos, já crescidos, nosso repertório de coisas conhecidas já era bastante amplo. A partir desse momento estávamos aptos a deduzir exatamente aquilo que nos desagradava ou agradava, assim como seus respectivos desdobramentos ou consequências.

Quer dizer, tínhamos agora plena consciência, não apenas daquilo que nos desagradava ou agradava, mas também das consequências. As desvantagens ou vantagens que estavam implícitas na questão. Isso significa que conhecíamos bem os efeitos resultantes de cada situação experimentada, ou ação por nós praticada.

Temos então a informação e a experiência. E quando juntarmos tudo isso ao nosso temperamento, que é o modo inconsciente que dá singularidade no processo de como nos relacionamos com pessoas, objetos e situações, está então formada nossa personalidade. E ali está todo nosso repertório cultural, de onde brotam nossas qualificações pessoais e planificações profissionais; nosso lastro para opinar e criar uma identidade como indivíduo ou cidadão de uma mesologia.

Observando mais de perto, o que podemos constatar? Há a experimentação, dor, alegria, angústia, medos, e a tudo isso, nosso cérebro, de forma involuntária, se encarrega de gravar como memórias. Servirá de base para futuros experimentos, para comparações, sendo, portanto, medidas que nos capacitará a compreender as repetições e tomar as providências mais adequadas para lidar com cada caso.

E há o nosso temperamento, processo involuntário que faculta identificarmo-nos de forma negativa ou positiva com situações ou pessoas, o que favorece ou dificulta nossa interação com aquela questão. Se há empatia, de nossa parte, haverá um interesse maior e consequentemente uma melhor aceitação ou aproveitamento, caso contrário, não. Mas isso não é um fator determinante para decretar nossas posturas. Podemos empatizar involuntariamente com uma coisa, mas, pela pressão da mesologia, com seus hábitos, crenças e todo processo de condicionamento, mudar de posicionamento ou preferências.

E há as interpretações baseadas nos padrões sociais, na tradição cultural, costumes de uma civilização ou nação. Desse modo, com base nesse estilo instituído como norma de vida, onde estão incluídos os tabus, dogmas e tudo mais, podemos compreender nossas experiências. Assim, ser capaz de reproduzir aquilo que nos recomenda a “Cartilha do Viver", com seus gabaritos, tabelas, fórmulas e protocolos, é então considerado um sinal de inteligência.

Segundo esse conceito universalmente aceito, ser capaz de imitar é o mesmo que ser inteligente. No entanto, imitar não é uma qualidade adquirida, uma vez que se trata de um atributo inato em qualquer ser vivo. Faz parte de sua cadeia genética. Uma célula imita a outra, e assim é possível restaurar as danificadas. Imitar é um dom ingênito, que não requer de capacitação prévia. No entanto, para saber o porquê se imita, o processo de capacitação é necessário.

Se o agir por repetição não é capacitação e sim apenas um atributo natural, por que consideramos isso um ato de inteligência voluntária? Não consideramos, nossos ancestrais e os cientistas de outras eras fizeram essa deliberação por nós, e mais uma vez, apenas repetimos a ideia, tradição ou juízo. Não é assim para tudo? Observe nossas crenças, medos, ideais de felicidade, objetivos existenciais, opiniões sobre qualquer coisa.

O que há de novo sobre a terra, inédito, que nunca foi experimentado, vivenciado ou construído por outros, em outros tempos, com outras formas? O modo caricato como expressamos nossos medos não é uma criação nossa, assim como as rotas expressas de fuga para as causas. Muito menos a bagagem de conceitos e preceitos que dá enchimento à psique social. Lá dentro há algo definitivamente inédito, casto, criado por nós a partir de uma decisão voluntária, pensada?

Se imitar é sinal de inteligência, o computador é o mais sábio dentre todos os sábios jamais existentes a qualquer tempo. Ele é capaz de imitar com perfeição, sem cometer erros, mais rápido que qualquer indivíduo, e com maior precisão mesmo não sendo “uma entidade” viva, ou mesmo biológica.

Falhos, absolutamente defectíveis, incapazes de resolver os problemas mais antigos do homem, os mesmos de tempos imemoriais, as mais simples causas dos nossos sofrimentos e conflitos, ainda assim, apenas porque somos capazes de criar máquinas eletrônicas que nossos ancestrais trogloditas sequer sonharam, saímos a tagarelar nos autodenominando como inteligentes.

Ser incapaz de viver sem medo e em paz, enxergar na destruição do oponente um ato de vitória, acreditar que o hábito de acumular conhecimento e riquezas é um sinal de sabedoria, tratar com indiferença os menos favorecidos, tudo isso poderia caracterizar evidências de que somos inteligentes?

Infelizmente, para uma expressiva maioria a riqueza é um atestado de inteligência, o louro que coroa os sábios. Incapaz de criar e apto apenas a imitar, repetir, mesmo aquilo que sabidamente não serve para nada, esse parece ser o verdadeiro papel do homem sobre a terra. Não seria então um sinal de inteligência perceber, com a mais altiva lucidez, que nada disso evidencia traços de inteligência?

Diz um velho adágio: “O sábio olha para trás, não porque esqueceu algo, mas, para ter certeza de que não está mais no mesmo caminho...”

Editoria de Educação do Site Mundo Simples.
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Sobre o Autor:

[1] Jon Talber - jontalber@gmail.com
É Pedagogo, Antropólogo e escritor especializado em Educação Integral e Consciencial. Estudou por mais de 30 anos as filosofias orientais e o comportamento das muitas culturas do mundo, seus sistemas educativos, doutrinas, dogmas, mitos, etc. Torna-se mais um colaborador fixo do nosso Site, onde pretende compartilhar parte daquilo que aprendeu ao longo de sua jornada.
O autor não possui Website, Blog ou página pessoal em nenhuma Rede Social.

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