Educação Integral e Consciencial
Educação Integral e Consciencial
O Real Objetivo da Vida
Editoria de Educação - 22 de Agosto de 2015
Autora: Anne Marie Lucille [1]
Quando se busca um objetivo para a vida, não o podemos encontrar se antes não descobrirmos o que é o viver...
"O objetivo da vida determinado por livros místicos ou tratados religiosos tem o mesmo valor que uma pedra preciosa para uma galinha faminta..."
O Real Objetivo da Vida
Um consistente e realizador plano pessoal dentro do viver, a isto, podemos chamar de objetivo...
O Real Objetivo da Vida
Um consistente e realizador plano pessoal dentro do viver, a isto, podemos chamar de objetivo...

Discutir conhecimento teórico em busca de uma verdade vale tanto quanto colocar a mão no fogo em busca de alívio contra queimaduras...

Cá estamos, cheios de aspirações e incontáveis projetos na pauta das futuras realizações; repletos de opiniões e crenças, e com a firme convicção de que temos uma singular missão na terra. Pode ser algum trabalho, ou obra, que se reverta em um tipo qualquer de benefício. Esse benefício pode se apresentar como forma de assistencialismo para os outros, apesar de que, no final de tudo, o que objetivamos de fato é nosso próprio beneficiamento. Entretanto, publicamente, essa verdade óbvia, eufemisticamente, se apresentará sob o manto da assistência altruísta ou filantropia.

Nesse caso, acreditamos tratar-se de um ato de boa vontade de nossa parte, ou caridade, sendo então, algo que fará toda diferença para o bem estar e condução da humanidade. Desse modo, a depender do mérito, ficamos no aguardo de uma régia recompensa, seja material ou espiritual.

Mas, para falar a verdade, nunca temos certeza de que será desse modo, ou seja, não sabemos a razão pela qual, verdadeiramente, existimos. Por isso, para que possam nos informar saímos em busca daqueles que supostamente já sabem e que foram oficialmente encarregados dessa missão, ou seja, os sábios ou gurus, os homens santos, ministros religiosos e demais autoridades doutrinárias.

A ideia de que temos uma obra, uma exclusiva, expressiva e imprescindível tarefa a cumprir, não é de nossa autoria, e quando chegamos ao mundo, todo esse ideário já povoava a mente dos nossos ancestrais. Faz parte de todas as culturas e tradições, de todas as nações. Resta então apenas uma questão: Que missão é essa, e como teremos certeza de que, de fato, isso é uma verdade? E o mais importante, como, ou através de quem, finalmente, seremos informados sobre a natureza desse trabalho pessoal?

Como se tudo isso não bastasse, depois de tomar conhecimento da nossa tarefa existencial, ainda nos resta outra questão: O que determina o início e o fim dessa misteriosa obra ou apostolado? Mais ainda: Que autoridade ou entidade ficará encarregada de acompanhar, conferir, e finalmente bater o martelo dando por encerrado todo processo?

Um motivo, eis o ponto de partida para qualquer questão. Início e fim fazem parte desse movimento. Uma obra se planeja, se transforma em projeto, inicia-se a feitura. E para nos certificarmos de que nada foi deixado de fora, há todo um elaborado processo de acompanhamento. Assim, depois de um longo e laborioso esforço pessoal, podemos contemplar o resultado e passar à fase seguinte. Faltam os testes de aceitabilidade e conformação, uma espécie de aferição, onde será emitido um certificado atestando que o projeto chegou ao fim, e o mais importante, que tudo foi realizado de acordo com o planejado.

Em nossa vida diária, para a fabricação ou confecção de bens materiais, o processo funciona mais ou menos segundo estas etapas. No entanto, são coisas criadas por nós, para atender às nossas necessidades e reivindicações. Criamos porque cada uma delas tem uma função, um motivo, e essa destinação nós conhecemos bem. Elas existem porque existimos. Mas, será que a mesma regra se aplica ao sentido da vida humana? Isto é, poderão servir de modelo ou parâmetros para explicar as razões da existência do homem sobre a terra?

E a regra em nosso mundo lógico e analógico é bastante simples: Se há um motivo para tudo, por dedução lógica, também podemos admitir que para tudo, sem exceção, há uma função ou serventia, ou não teria sentido sua existência. O existir de algo sem utilidade seria ilógico, incoerente, absurdo, insensato, ao menos para nós.

Vejamos nosso caso. Em nosso mundo de funcionalidades, cada item criado, inventado por nós, tem um claro propósito, e isso representa seu motivo existencial.

E dentro da cadeia de produção de qualquer artefato material, existem os seguintes aspectos ou etapas: Carência ou Motivo, Estudos de viabilidade, Projeto, Escolha dos materiais, Escolha do Construtor, Testes finais de aceitabilidade e conformação do Produto, e finalmente, o Item criado é colocado à disposição para uso. Pelo menos em nosso mundo das coisas concretas, tudo ocorre mais ou menos de acordo com essas diretrizes, roteiros ou gabaritos.

Depois de feito, o item, para sempre, deverá passar por vários processos de atualizações e mudanças, ao qual poderão ser acrescentadas novas funcionalidades, menor ou maior durabilidade, tudo isso, a depender de sua utilidade, necessidade, interesses do fabricante ou consumidor, e assim por diante. Atualizar não significa refazer o projeto, mas apenas lhe acrescentar as devidas correções e modificações, detalhes fundamentais ao seu uso regular. Refazer é fazer um novo; pode ter características semelhantes, mas não é o mesmo, embora o possamos considerar como um similar.

Estes “produtos ou itens” nós criamos, e por isso compreendemos bem seus motivos existenciais, sua aplicabilidade, seu tempo de vida útil. Mas, e quando um item não foi feito por nós? Quer dizer, não foi fabricado pela engenharia e linhas de produção e montagem das fábricas criadas pelo homem? Nesse caso, como podemos aplicar todos os quesitos relacionados anteriormente, cujo objetivo é tão somente pontuar uso e função, propósito, e demais atributos válidos para classificar a obra criada por nós?

De verdade, toda massa de indivíduos que formam o bolo da humanidade estão convictos de possuem diferentes objetivos de vida, embora ignorem do que se trata.

Mas, objetivo de vida é uma coisa; função para o viver, outra. Você não nasce com um objetivo de vida explícito, com uma proposta de realização formal que finalmente determine seu caminho existencial.

Função existencial, eis o ponto principal da nossa questão. Qual a utilidade de um ente humano, não do ponto de vista da mesologia, mas da natureza? Esta é uma dúvida recorrente. Respostas, socialmente falando, não nos faltam. E a própria mesologia já se encarregou de protocolar cada uma delas.

Uma profissão, um nome, uma posição dentro da grade social, eis o que significa nosso atual objetivo de vida. Objetivo de vida, de acordo com nossa cartilha social, significa, dentre outras coisas, a gravação do nosso nome como autor de alguma obra relevante, o destacar-se como cidadão exemplar ou profissional bem sucedido, e assim por diante. E tudo isso acaba por constituir-se em meta existencial.

Tentar resolver os problemas do dia a dia, isso tem sido nossa eterna angústia. Não sobra tempo para mais nada, e eles, os problemas, brotam de todos os lados; do passado, do presente, e também do futuro. Aliás, a maioria deles estão lá, no incerto futuro. Assim, parece que solucionar os problemas, nossos e dos outros, é, nesse momento, nossa mais importante função existencial.

Trabalhamos para suprir nossas necessidades básicas, e o trabalho se torna uma obrigação, assim como a educação dos filhos e a nossa. E há também a questão da saúde, e as diversões, e o culto religioso. E tudo isso acaba por se transformar em problemas que precisam urgentemente de resolução.

E o próprio viver, que é tudo isso, torna-se um problema. Não há então os pequenos, médios ou grandes problemas que demandam solução, mas, ao invés disso, o inteiro viver é esse problema. Desse modo, resolver essa questão se torna nosso claro objetivo de vida. Por isso precisamos de motivação, de crenças, de guias e salvadores. E tudo isso se transforma em mais problemas. E parece que a cada passo, quanto mais buscamos uma solução, mais aumenta a confusão.

Trata-se de um labirinto dotado de apenas uma porta de entrada, e quando nele adentramos, nem sempre por nossa vontade, esta se fecha sem deixar vestígios de que um dia existiu. Por isso nunca encontramos uma saída, apenas alternativas de como aprender a viver lá dentro, ainda assim cercados de problemas.

E todas nossas propostas existenciais se limitam às condições do labirinto. Se dali não há saída, também nossos objetivos se direcionam para qualquer ponto existente ali dentro, inexistente lá fora. Aliás, existirá um lado de fora?

E se começássemos admitindo que ainda não temos como saber qual é o nosso objetivo de vida, que ninguém sabe, que ninguém virá nos informar? Não seria essa a lógica inicial de quem deseja investigar alguma coisa? Há descoberta sem a investigação que surge naturalmente com a dúvida genuína?

No entanto, refletindo melhor, temos uma pista. Sabemos que nada existe sem motivo ou função. Assim, partindo desse ponto, fazendo um estudo profundo de nós mesmos, um autoenfrentamento, sem a interferência de guias, de preceitos, conceitos doutrinários ou religiosos, sem protocolos ou fórmulas prontas, a própria busca já não poderia constituir esse objetivo? Podemos começar por aí...

Editoria de Educação do Site Mundo Simples.
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Sobre a Autora:

[1] Anne Marie Lucille - annemarielucille@yahoo.com.br
Franco-brasileira, pesquisadora na área da Psicopedagogia e Antropóloga. Atua como consultora educacional especializada em Educação Integral e Consciencial.
A autora não possui Website, Blog ou página pessoal em nenhuma Rede Social.

Mais artigos da autora em: http://www.sitededicas.com.br/holistica_index.htm

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