Educação Integral e Consciencial
Educação Integral e Consciencial
A Criança e os Conflitos com os Pais
Editoria de Educação - 22 de Agosto de 2015
Autor: Jon Talber[1]
O Compartilhar das boas experiências deveria ser uma coisa tão natural quanto sentir satisfação por não errar...
"A prática sistemática da competição entre os alunos é o combustível que incita e Apóia a animosidade e o antagonismo entre amigos..."
A Criança e os Conflitos com os Pais
Onde a Atenção está presente, necessidade de correção estará sempre ausente...
A Criança e os Conflitos com os Pais
Onde a Atenção está presente, necessidade de correção estará sempre ausente...

Uma das mais recorrentes reclamações dos jovens tem sido a falta de espaço para falar, ou serem ouvidos, dentro de suas casas.

Você sabia que as crianças preferem escutar os adultos que também lhes dão ouvidos? Observe a si mesmo. Com quem você prefere conversar? Com um amigo que lhe escuta, ou com outro que o trata com indiferença? Por que isso não poderia servir também de modelo, como uma evidência concreta e incontestável de um fato; como lastro para o início do nosso relacionamento com as crianças?

Psicologicamente, uma criança é feita das memórias que lhes são transmitidas pelos sentidos a partir das experiências de vida. Ela escuta, observa, toca, sente o cheiro, o paladar, e se tudo isso agrada, é gravado como coisa boa, necessária ao seu bem estar. A mesma regra se aplica aos aspectos desagradáveis. Bem estar é uma regra instintiva que deve ser cultivada por todo animal, seja racional ou não. Trata-se de um recurso necessário à sua sobrevivência.

Se os agrados exagerados criam mais estragos que benefícios, a gratificação discreta, bem conduzida e carinhosa, além de lhes ensinar de forma inteligente sobre os princípios da cordialidade, só edifica.

Pais carinhosos, com presença marcante no seu dia a dia, então, se tornam coisa necessária ao seu progresso sensorial e saúde mental. Assim, ela sentirá prazer no convívio regular ao lado deles. Nesses primeiros contatos, quando já está na idade das perguntas, o princípio da dúvida deve ser incentivado. O estímulo à dúvida a tornará mais curiosa, mais próxima dos pais, e a depender da receptividade, verá neles amigos e confidentes com os quais sempre poderá contar; de cuja presença jamais abrirá mão.

Uma criança aprende por imitação, depois por aceitação de padrões, e por último emocionalmente. As habilidades motoras ela imita, os conceitos ela aceita, os sentimentos ela sensorialmente experimenta, e eis a base de onde brotará sua personalidade.

Se a televisão está presente em todas suas horas de vigília, logo servirá como modelo inspirador. E aquelas fantasias, por mais distorcidas e bizarras que sejam aos olhos de alguém mais esclarecido, para ela, trata-se da mais pura realidade. Por isso, não se engane, até as propagandas terão impacto em seu comportamento, interferindo de maneira dramática no status do seu temperamento original. Lembre-se, ela ainda está coletando subsídios para montar sua personalidade e caráter, e o mais importante, não possui nenhum discernimento.

E, algumas vezes, ao contrário dos pais, a televisão está sempre presente e disposta a preencher seus momentos ociosos, todas as horas, sempre que for necessário. Por isso, as conceituações e doutrinas ali dramatizadas, dentro de suas cabeças, terão mais força condicionante que as palavras dos pais, estes, nem sempre tão presentes, especialmente na hora de desfazer suas dúvidas. Aqui vale o velho ditado: “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, ou a versão mais realista: “Falsos conceitos em terra de ninguém, como é o caso da mente infantil, de tanto insistir lá se mantém...”

Lavagem cerebral, vencer pela insistência, essa é a regra dos criadores de alienações, do fanatismo, da subserviência planejada, dirigida, que é praticada pela poderosa máquina criadora de novos hábitos. E esses verdadeiros “guias” e suas ideias, verdadeiras doutrinas de vida, acabam por criar nos jovens, ainda imaturos, comportamentos patológicos, muitas vezes contrários aos exemplos de casa, ou mesmo aos princípios da ética universal.

Educar com conflito é o mesmo que conduzir por rédeas; você conduz, mas não pela vontade do conduzido. Pela dominação não há educação, apenas conformação, ou obrigação com resignação. Pela conformação não existe um cidadão, apenas um protótipo de gente, sem vontade própria. Por dentro não será em nada diferente de um autômato movido pelas ideias dos oportunistas, ou alguém sob domínio do poder hipnótico ou força sedutora de quem quer que seja.

Compreender um filho é entender que ele ainda não possui uma personalidade, a exemplo da nossa. Examinar nossa personalidade nos faculta a encontrar as falhas causadoras dos conflitos, uma vez que estão em nós estas causas. E neles, em nossos filhos, por enquanto, esse repertório ainda está ausente.

Criança birrenta, criança malcriada, criança insegura, tudo isso reflete aquilo que ora somos. Elas não têm como aprender sozinhas, por esse motivo, não poderão prescindir de um mestre, ou de vários. E se não estamos presentes, outros certamente se encarregarão de ocupar este espaço. Lembre-se, criar uma mania ou vício é a coisa mais simples do mundo; desfazer-se depois de tais anomalias, acredite, não é.

Saber o que psicologicamente somos é o caminho para se educar com decência nossos filhos e discentes. Mesmo quando tentamos esconder aquilo que somos, ainda assim, podemos ver nossas verdadeiras inclinações incorporadas no comportamento deles, uma vez que sua inocência ainda não permite o agir com dissimulações, como nós já o fazemos.

Quem não gosta de mimo, de um agrado, de ser tratado com cordialidade? Existe mimo sem instrução? Existe comportamento sem instrutor? Então, por que ficamos chocados quando as nossas crianças, no seu modo espontâneo de ser, acabam por expressar através de comportamentos que consideramos inadequados, os reflexos de toda essa deseducação recebida, mesmo diante de nossa indignação e discordância?

Conduzir não é suprir. Educação não é repetição. No entanto, a negação dessa repetição, sim. Correção não é condução cega, mas a ausência desta, sim. Corrige-se aquilo que está gasto, falho. Assim o problema é a correção e não aquilo que ela se presta a consertar.

Existe a correção porque existe a falha; existe a falha porque falhamos, porque tudo falhou, e perceber essa verdade pode significar a erradicação ou descontinuidade desse processo. Saber onde falhamos de nada serve se continuamos a seguir a mesma velha e surrada cartilha, já corrompida, violada, que um dia adotamos como guia para nossas vidas.

Este roteiro não mais deveria servir para elas, para as nossas crianças. Já tentamos, outros já tentaram. Muitos já fizeram todos os ajustes que julgavam necessários; já vimos que não funciona, insistir é sinal de imaturidade, de burrice.

Mas, ainda, lá nas profundezas do nosso inconsciente, queremos consertar o mundo, ou o remodelar de conformidade com nossas inclinações. Felizmente não sabemos como fazê-lo. Conforta-nos a ideia de que tudo funcionaria melhor se fossemos uma espécie de guia condutor, uma medida, um gabarito padrão que serviria de referência para toda humanidade.

Perceber que falhamos, que a sociedade falhou, que nossos vícios e manias serão heranças incondicionais para nossos filhos, não porque assim o desejamos, mas porque a mente do mundo está doente, deformada, deteriorada, como uma ferida que nunca cicatriza, isso é o primeiro indício do despertar da inteligência.

Educar nossos filhos, não pelo mesmo manual que usamos como tutorial, mas, com uma nova postura, onde iremos mostrar para eles o mundo exatamente como ele é. Viciado, doente, deformado, sua verdadeira feição; isso é sabedoria, e acima de tudo, decência, um dever responsável, uma conduta da mais elevada ética, respeito e dignidade.

Editoria de Educação do Site Mundo Simples.
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[1] Jon Talber - jontalber@gmail.com
É Pedagogo, Antropólogo e escritor especializado em Educação Integral e Consciencial. Estudou por mais de 30 anos as filosofias orientais e o comportamento das muitas culturas do mundo, seus sistemas educativos, doutrinas, dogmas, mitos, etc. Torna-se mais um colaborador fixo do nosso Site, onde pretende compartilhar parte daquilo que aprendeu ao longo de sua jornada.
O autor não possui Website, Blog ou página pessoal em nenhuma Rede Social.

Mais artigos do autor em: http://www.sitededicas.com.br/holistica_index.htm

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